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Brand safety no marketing de influência: o que a marca confere antes, durante e depois da campanha

Em mídia, brand safety é evitar que o anúncio caia ao lado do conteúdo errado. Em influência não existe adjacência: a marca aparece dentro de uma pessoa, e o risco passa a ser quem você escolheu e o que ficou registrado.

por Caio Almeida Head de Growth Marketing & Tech Solutions

Brand safety, no vocabulário de mídia, é impedir que o seu anúncio apareça ao lado de conteúdo que você não quer. Existe lista de bloqueio, existe verificador independente, existe relatório de adjacência, e existe uma indústria inteira resolvendo isso.

Em influência, nada disso funciona, porque não existe adjacência. A marca não aparece ao lado do conteúdo, ela aparece dentro de uma pessoa. Você não está comprando espaço perto de um assunto, está pedindo para alguém dizer que gosta do seu produto, com a voz e o histórico dessa pessoa junto.

Pedir que uma pessoa diga que gosta do seu produto muda o problema inteiro. O risco deixa de ser onde o anúncio caiu e passa a ser quem você escolheu, o que essa pessoa já disse antes, o que ela vai dizer depois, e o que a sua marca fez para reduzir a chance de isso dar errado. É esse conjunto que este guia cobre.

Antes de seguir, o interesse fica declarado: a Shake.ai vende curadoria de creator, então tem lado nesta conversa. O critério para o texto valer é que tudo aqui funcione com planilha e perfil aberto, sem ferramenta nenhuma. Onde a ferramenta muda alguma coisa, o que ela muda é tempo, e isso está dito no fim.

O risco não é um, são cinco, e eles têm donos diferentes

Quando alguém diz "risco de influência", costuma estar falando de reputação. É o menor dos cinco.

Risco de audiência. O creator entrega alcance que não existe, porque a base tem seguidor comprado ou porque o público está em outro país. Não vira crise, vira verba desperdiçada, e é o mais comum de todos.

Risco de conformidade. A peça sai sem identificação publicitária adequada, ou sai com claim que a marca não pode sustentar. Quem responde não é só o creator.

Risco legal. A campanha esbarra em direito de imagem, uso de trilha, dado pessoal ou regra de publicidade infantil. Esse é o que sai mais caro e o que menos gente confere antes.

Risco de contexto. A peça sobe no dia errado, ao lado do assunto errado, ou o creator faz uma parceria com o seu concorrente na semana seguinte. É o risco que mais depende de calendário e o único que costuma ter solução simples, que é combinar janela de exclusividade e conferir o que já está agendado antes de marcar a data.

Risco de conduta. O creator faz ou diz algo que respinga na marca. É o único que vira notícia, e é por isso que ele ocupa a conversa inteira, apesar de ser o mais raro.

Os cinco têm donos diferentes dentro da empresa, e é justamente aí que eles escapam. Audiência é do time de mídia. Conformidade é de quem faz o briefing. Legal é do jurídico, que costuma entrar depois da assinatura. Contexto é de quem opera o calendário. Conduta é da comunicação corporativa, que só é chamada quando já aconteceu. Nenhuma dessas pessoas está na mesma reunião, e a lista de creators passa por todas elas sem que ninguém tenha a visão inteira.

Nem todo risco é o seu risco

Antes de montar processo, vale calibrar, porque brand safety custa tempo e time que trata tudo como crítico acaba não tratando nada.

O guia do CONAR pede atenção especial aos segmentos sujeitos a restrição, e essa é a régua mais útil que existe. Marca de bebida alcoólica, de aposta, de medicamento, de serviço financeiro, de suplemento e de qualquer produto com restrição etária opera com margem estreita: ali o erro de sinalização ou o claim exagerado não é constrangimento, é representação. Categoria infantil entrou nesse grupo com força depois do ECA Digital, e a mudança é recente o suficiente para não ter chegado em muito fluxo de aprovação.

No outro extremo, marca de moda, de decoração, de turismo e de alimento sem restrição tem margem maior para conteúdo com opinião e para creator com personalidade forte. O risco ali é quase todo de conduta e de contexto, não de conformidade.

E existe uma terceira faixa, que é a das marcas que vendem para outras empresas. Elas costumam achar que influência não as alcança e, quando entram, entram por LinkedIn e por creator técnico, onde o problema não é o CONAR e sim a promessa de resultado. Claim de performance em conteúdo B2B é o equivalente ali do claim de saúde em suplemento.

Calibrar significa decidir, por escrito e uma vez só, quanto de cada frente a sua categoria exige. Uma marca de cosmético infantil precisa de jurídico antes do impulsionamento. Uma marca de tênis precisa de verificação de audiência e de cláusula de conduta, e provavelmente não precisa de jurídico em cada peça. Fazer essa distinção uma vez é o que impede o processo de virar burocracia que ninguém cumpre.

O que dá para conferir antes de assinar, e leva vinte minutos

A verificação de audiência é a parte mais barata do brand safety e a que mais gente pula, porque parece trabalho de ferramenta. Não é.

A conta de engajamento é o primeiro sinal. Pegue os últimos dez ou quinze posts, some curtidas e comentários, divida pelos seguidores. Se o número está muito abaixo da faixa daquele tamanho de perfil, tem alguma coisa errada com a base ou com a entrega. Os quatro sinais que dá para checar num perfil aberto, sem ferramenta, estão em como identificar seguidores falsos.

O histórico é o segundo, e ninguém o automatiza direito. É a checagem que costuma ser cortada quando a lista tem trinta nomes e a campanha sobe na semana seguinte, e é exatamente nesse corte que entra o perfil que ninguém leu. Ler os últimos seis meses de conteúdo de um creator leva vinte minutos e responde três perguntas que nenhum painel responde: sobre o que essa pessoa se posiciona, com quem ela já trabalhou, e se existe algo ali que a sua marca não quer ao lado dela. Vinte minutos por perfil, numa lista de dez, é uma tarde. Comparado com o custo de descobrir depois, é barato.

O terceiro é a coerência entre o creator e a categoria. Não é sobre gostar do tema, é sobre já ter falado dele de graça. Quem nunca tocou no assunto entrega a recomendação como estreia paga, e o público percebe. O mecanismo disso está em match por afinidade, e ele é tão relevante para risco quanto para performance: creator fora de categoria é o que mais produz peça que soa forçada, e peça forçada é o que mais gera comentário negativo.

A conformidade publicitária deixou de ser assunto do creator

Em junho de 2026 entrou em vigor a versão nova do guia do CONAR sobre publicidade por influenciadores, a primeira desde 2020. Ela é a mudança mais concreta deste guia inteiro, porque mexeu no que conta como publicidade e não só em como sinalizar.

O ponto que interessa a quem responde pela marca é a distribuição de responsabilidade. O guia atribui a anunciante e agência o dever de informar o creator sobre as regras e de zelar pelo cumprimento delas. Contratar agência transfere execução e não transfere responsabilidade.

E a fronteira ficou mais larga do que a maioria dos times imagina. Seeding sem contrato, permuta combinada por direct, post de funcionário dentro de um programa interno, republicação de conteúdo de cliente no perfil da marca e até a curtida do perfil oficial entraram na conta. O caso a caso, com as expressões que o guia recomenda e a régua por formato, está em como sinalizar publi.

Aqui mora o risco mais caro, e é o que menos aparece em apresentação de agência.

A Lei 15.211/2025, o ECA Digital, foi sancionada em setembro de 2025 e está em vigor desde março de 2026. Dois artigos dela mudam campanha de influência de forma direta. O artigo 22 veda o uso de técnicas de perfilamento para direcionar publicidade comercial a criança e adolescente, e veda junto o uso de análise emocional e de realidade aumentada, estendida ou virtual com esse fim. O artigo 26 veda a criação de perfis comportamentais de usuários crianças e adolescentes a partir dos dados pessoais deles, incluindo os dados obtidos na verificação de idade, para direcionar publicidade.

O Decreto 12.880/2026, publicado em março, regulamentou a lei. O ponto que interessa a quem produz conteúdo com família é o artigo 34, que passou a exigir autorização judicial para monetizar ou impulsionar conteúdo que explore, de forma habitual, a imagem ou a rotina de uma criança ou adolescente.

Traduza isso para a operação. Campanha de marca de brinquedo, de material escolar, de alimento infantil ou de qualquer categoria que use creator com filho aparecendo passou a ter uma pergunta nova antes do impulsionamento, e ela não é de marketing. Se a peça tem criança e vai receber verba de mídia, ela precisa passar pelo jurídico antes, não depois.

O guia do CONAR reforça a camada ética por cima disso, pedindo que a identificação publicitária seja ainda mais evidente quando o público é infantil, para que a criança consiga reconhecer que aquilo é anúncio.

O contrato é onde o risco vira ou não vira problema

Contrato de influência costuma ser tratado como formalidade de compra, com escopo, prazo e valor. É pouco.

O que precisa estar escrito, e quase nunca está, começa pelo direito de uso: por quanto tempo, em quais mídias, com ou sem impulsionamento, com ou sem edição. Sem essa cláusula a marca não pode transformar a peça em anúncio, que é justamente o que dá escala ao conteúdo de creator.

Depois vem a identificação publicitária, escrita como obrigação e não como pedido. Depois a exclusividade, com prazo e categoria definidos, porque é ela que evita o creator aparecer com o concorrente duas semanas depois. Depois a aprovação, com prazo de ida e volta, porque prazo de aprovação é o que mais estoura cronograma.

E vem a cláusula que quase ninguém coloca, que é a de conduta. Ela define o que acontece se o creator fizer ou disser algo incompatível com a marca durante a vigência: se a peça sai do ar, se o pagamento é suspenso, se há devolução, e quem decide. Sem ela, a marca descobre no pior dia possível que não combinou nada.

Cada uma dessas cláusulas, com o que a lei escreve no lugar da marca quando ela não escreve, está em as cláusulas que a marca precisa exigir.

O que se acompanha depois que a campanha sobe

Brand safety costuma parar na assinatura, e a maior parte do que dá errado acontece depois.

Três acompanhamentos resolvem quase tudo. O primeiro é conferir a peça publicada contra o que foi combinado, incluindo a identificação publicitária no lugar certo, e não só o texto. O segundo é acompanhar o comentário nas primeiras quarenta e oito horas, que é quando aparece a reação real da audiência do creator e onde um problema pequeno ainda é pequeno. O terceiro é registrar tudo, e a razão disso está na seção seguinte.

Vale dizer o que não fazer: pedir para o creator apagar comentário negativo. Além de não funcionar, transforma um problema de percepção em um problema de reputação, e a marca perde o creator no processo.

Quando o creator vira o problema

Esse é o cenário que ocupa a conversa e o mais raro dos cinco. Ele também é o único em que a decisão precisa ser tomada em horas, e não em dias.

A pergunta que decide não é se a marca deve se manifestar. É qual alavanca contratual existe, e ela foi decidida meses antes, quando o contrato foi assinado. Marca com cláusula de conduta tem três caminhos: suspender a veiculação e esperar, tirar a peça do ar mantendo o contrato, ou rescindir. Marca sem cláusula tem um: negociar do zero, no pior momento possível, com a outra parte sabendo que você precisa mais do que ela.

O guia do CONAR pede que a marca acompanhe as postagens da campanha e adote as medidas cabíveis para ajustar, corrigir ou suspender quando encontrar anúncio em desconformidade. Não é sugestão de comunicação, é medida de diligência, e ela conta a favor da marca quando o caso é analisado.

O que decide o desfecho está em crise com influenciador, junto do que o Conselho de Ética já entendeu sobre responsabilidade sem controle, e de como a cláusula de conduta precisa ser redigida para funcionar.

O registro é o que defende a marca

A última parte do guia do CONAR é a mais pulada e a mais útil. Ela lista cinco medidas de governança que, apesar de não serem deveres formais do Código, contam como indicativo de diligência e boa-fé quando um caso chega ao Conselho de Ética.

As cinco estão destrinchadas em como sinalizar publi, junto com o pedido de que os registros sejam mantidos. A que interessa a este guia é a quinta, porque é a única que acontece antes de a campanha existir: curadoria na contratação, evitando quem reincide em anúncio irregular. As outras quatro são reação. Essa é prevenção, e é a que liga governança a casting.

Na prática, isso significa que a defesa da marca não é o post ter saído certo. É existir prova de que a marca tentou: o briefing com a instrução escrita, a cláusula no contrato, o e-mail que acompanhou o seeding, a planilha de acompanhamento, o critério de casting documentado. Nada disso aparece no feed, e é tudo que sobra quando alguém pergunta, seis meses depois, o que a marca fez para evitar.

O documento que carrega a maior parte dessas instruções até o creator é o briefing, e ele está pronto em modelo de briefing para influenciador.

O erro estrutural: brand safety tratado como veto

Termino com a parte em que discordo de boa parte do mercado.

A leitura corrente de brand safety em influência é uma lista de vetos: assuntos proibidos, palavras proibidas, perfis descartados. Isso produz duas coisas ruins ao mesmo tempo. Restringe o casting a perfis mornos, que é o oposto do que faz influência funcionar, e não protege de quase nada, porque o risco raramente está no que o creator falou sobre a categoria e sim no que ele é fora dela.

Brand safety que funciona é processo, não lista. É saber o que se checou antes de assinar, o que está escrito no contrato, o que se acompanha depois e o que ficou registrado. Marca que faz isso pode contratar creator com opinião, que é o tipo de creator que move alguma coisa. Marca que só bloqueia palavra contrata quem não incomoda ninguém e depois se pergunta por que a campanha não teve reação.

Onde a gente se encaixa

Voltando à declaração da abertura, agora com o texto todo escrito atrás dela.

Tudo aqui funciona sem software. A verificação de audiência é conta de dividir. O histórico é leitura. As cláusulas são texto. O registro é uma pasta compartilhada com briefing, contrato, prints e planilha. Uma marca disciplinada faz brand safety de influência com Google Drive.

O que a Shake.ai faz é a parte de tempo. O Shake Score descreve o perfil com número, o que resolve a etapa de audiência mais rápido do que a conta na mão, e a curadoria devolve uma lista já filtrada, o que reduz o volume de histórico a ler. O que a gente não faz, e nenhuma ferramenta faz, é assumir a responsabilidade: ela é da marca, com ou sem fornecedor, e é por isso que a parte mais importante deste texto é a do contrato e a do registro, que são as duas que dependem só de você.

Se o que você precisa agora é o quadro inteiro de uma campanha, do briefing ao relatório, ele está no guia de marketing de influência para marcas.

Shake AI

Da leitura para a prática.

O app faz a curadoria que este guia descreve: o SuperMatch acha os creators compatíveis com a sua marca, o Shake Score dá a nota de cada um, e o mailing verificado leva você a quem decide as campanhas.

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