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Como calcular o ROI de uma campanha com influenciador

A fórmula que todo mundo publica divide receita por custo e não sabe dizer se a campanha causou a receita. A diferença entre atribuir e medir incremento é o que separa saber que funcionou de achar que funcionou.

por Caio Almeida Head de Growth Marketing & Tech Solutions

Procure "como calcular ROI de influenciador" e você vai receber a mesma fórmula em dez páginas diferentes: receita menos custo, dividido pelo custo. Está certa, é a definição contábil de retorno, e ela não responde a pergunta que a sua diretoria faz.

A pergunta é se a campanha causou a receita. A fórmula não sabe disso. Ela só sabe dividir dois números que alguém colocou na planilha, e o número de cima depende inteiramente de como você decidiu atribuir venda a canal. Trocar a regra de atribuição muda o ROI sem mudar uma vírgula da campanha.

É por isso que duas marcas com resultado parecido apresentam números que não conversam, e é por isso que este texto começa onde os outros param.

Atribuir e medir são coisas diferentes, e o mercado usa a mesma palavra

Atribuição é um sistema de crédito. Alguém comprou, você olha o caminho que essa pessoa fez e decide qual toque leva a medalha.

Último clique dá tudo para o último, primeiro clique dá tudo para o primeiro, e modelos mais elaborados dividem em pedaços. Todos partem da mesma premissa: a venda aconteceu, e resta decidir de quem é o mérito.

Medição de incremento faz outra pergunta, que é se a venda teria acontecido de qualquer jeito. Para responder isso é preciso ter um grupo que não viu a campanha, e comparar. É a diferença entre repartir o bolo e descobrir se o bolo cresceu.

Praticamente todo relatório de influência que circula no Brasil é atribuição apresentada como medição. Não é má-fé, é o que a ferramenta entrega.

Dois cases brasileiros, e a diferença entre eles é a lição

A Natura rodou uma campanha de Dia dos Namorados no TikTok medida por um estudo de lift, com grupo exposto e grupo não exposto. Segundo o case publicado pelo próprio TikTok, o resultado foi 11,4 pontos percentuais incrementais em lembrança de anúncio, 12,57% de compradores incrementais, 11,35% em vendas e 15,5% em ticket médio. O número que interessa aqui é outro: segundo o mesmo case, o cupom da campanha rendeu cinco vezes mais receita do que a atribuição por último clique conseguia enxergar.

Leia isso devagar. Não é que a campanha tenha performado cinco vezes melhor. É que o modelo de atribuição que a maioria das marcas usa estava enxergando um quinto do efeito que existia.

A Magalu aparece em outro case do TikTok com ROAS médio 77% maior e CPA 50% menor entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023. É um bom resultado e é uma natureza de evidência diferente: ROAS atribuído por uma plataforma de mensuração de terceiro, numa janela que inclui Black Friday e Natal, com anúncios rodando no TikTok e também na rede de parceiros da ByteDance. Nada disso invalida o número. Só significa que ele não separa efeito de campanha de efeito de calendário, e o case da Natura separa.

Uma ressalva sobre os dois, e ela vale para todo case de plataforma: quem publica é a plataforma medindo a própria eficácia. O case da Natura não traz tamanho de amostra, nem janela do teste, nem grupo de controle declarado, nem sequer a data da campanha. Use como ilustração de método, não como benchmark do seu resultado.

As três réguas que não deveriam estar na mesma planilha

O erro mais comum de relatório de influência não é escolher a métrica errada. É somar métricas de naturezas diferentes na mesma tabela, como se fossem comparáveis.

Métrica de creator descreve a pessoa e a entrega: alcance da peça, visualizações, comentários, salvamentos, taxa de engajamento do perfil. Serve para avaliar quem você contratou e se ele entregou o combinado.

Métrica de mídia descreve o desempenho da distribuição: CPM, CPC, CTR, frequência, custo por visualização qualificada. Só existe de verdade quando a peça vira anúncio, e é o que permite comparar creator com outros canais.

Métrica de negócio descreve o que aconteceu na empresa: pedidos, receita, ticket médio, compradores novos, custo de aquisição. É a única que a diretoria entende sem tradução.

As três respondem perguntas diferentes e não se somam. Um relatório que abre com alcance e fecha com receita, sem dizer como uma coisa levou à outra, está apresentando três assuntos como se fossem um.

A régua prática é escolher um KPI primário por fase de funil e no máximo dois ou três de apoio. Campanha com cinco objetivos não tem objetivo.

Como fazer um teste incremental de verdade

As três grandes plataformas publicam metodologia própria, e ela está documentada em português claro o suficiente para quem opera.

A Meta chama de estudo de lift e descreve o desenho na documentação de marketing: contas são randomizadas entre grupo de teste e grupo de controle, e a parcela de controle é literalmente definida como o percentual que não verá os anúncios. O TikTok chama de Conversion Lift Study e descreve os mesmos quatro passos, com uma ressalva que vale ouro e está na própria página: os dois grupos continuam expostos ao resto do seu marketing, então o teste isola aquele canal e não isola o resto. O Google chama de Conversion Lift, oferece desenho por usuário e por região geográfica, e avisa que a ferramenta não está disponível para todas as contas.

Agora a parte que nenhuma dessas páginas diz e que muda o seu planejamento. Nenhuma das três documenta metodologia de incremento para post orgânico de creator. O que elas medem é a mídia paga que carrega o conteúdo do creator, o que na prática significa impulsionar a peça. Se o seu plano é medir incremento de uma campanha só orgânica, a resposta honesta é que não existe caminho oficial, e o que sobra é aproximação por região ou por janela temporal.

O que dá para fazer sem orçamento de teste

Teste incremental exige verba e volume. A maior parte das campanhas brasileiras não tem nenhum dos dois, e ainda assim dá para sair do último clique.

Cupom por creator continua sendo a ferramenta mais barata que existe, com uma correção importante: o cupom mede quem usou o cupom, não quem comprou por causa do creator. Muita gente vê, procura depois e compra sem cupom. Trate o cupom como piso do efeito, nunca como o efeito.

Link com parâmetro próprio para cada creator resolve a atribuição de tráfego e sofre do mesmo teto: mede o clique, não a influência.

Comparação de janela é subestimada e funciona quando o resto está estável. Você compara o período da campanha com o período imediatamente anterior, segurando o resto do investimento constante, e olha para a curva de busca pela marca e para o tráfego direto. Não é causalidade, é indício, e um indício declarado como indício vale mais que um ROI falso apresentado com duas casas decimais.

Comparação por região é a mais próxima de um teste de verdade sem custo de ferramenta: rodar a campanha em algumas praças e não rodar em outras equivalentes, e comparar. Depende de a marca ter distribuição parecida entre as praças, o que nem sempre acontece.

O dia em que a sua série histórica quebrou, e ninguém avisou

Se você compara desempenho de conteúdo no Instagram de antes e de depois de 2025, tem um problema silencioso.

Em 21 de janeiro de 2025, junto com a versão 22 da Graph API, a Meta anunciou a depreciação da métrica de impressões, e a mudança passou a valer para todas as versões da API em 21 de abril de 2025. Não foi só impressões: saíram também plays e as contagens de replays de reels. Tudo isso foi absorvido por uma métrica só, views.

Não é troca de nome. Impressões contava exibições, plays contava reproduções, e views agrega as duas coisas com regra própria. Série histórica que atravessa abril de 2025 compara duas réguas diferentes, e qualquer conclusão de "melhoramos 30%" que cruze essa data precisa ser reconferida.

Quem monta relatório trimestral que abrange 2024 e 2025 provavelmente está apresentando um crescimento que é de metodologia, não de performance.

O número que você vai ter que aceitar não saber

Nenhuma marca consegue medir o efeito completo de influência, e a razão é estrutural, não técnica.

Boa parte do que a campanha produz acontece onde não existe rastreamento. Alguém vê o vídeo, não clica, comenta com uma amiga, e a amiga compra pela busca duas semanas depois. Isso é resultado. Ele não aparece em painel nenhum, e não vai aparecer.

Existe evidência de que essa parte invisível é grande, e o próprio case da Natura é ela: cinco vezes o que o último clique via. Existe também evidência de que o mercado sabe disso e não resolveu.

Segundo a sexta edição do estudo ROI & Influência, da YouPix com a Nielsen, 53% das marcas dizem ter dificuldade em quantificar o retorno e 48% em comprovar a efetividade do influenciador, ao mesmo tempo em que 90% dos anunciantes usam alcance e engajamento como métrica principal. Ou seja: quase todo mundo mede a coisa mais fácil e depois reclama que não consegue provar a coisa difícil.

Esses números, com a ressalva de amostra que eles exigem, estão em marketing de influência no Brasil em números, junto com o resto do que existe medido sobre o mercado brasileiro.

O relatório que sobrevive à reunião de diretoria

A cena é sempre parecida. O relatório abre com alcance somado, alguém da mesa pergunta quanto disso virou venda, e a resposta atravessa três slides até chegar num número que ninguém consegue defender quando perguntam como ele foi apurado.

O que sobrevive a essa pergunta tem três blocos, nessa ordem, e nenhum deles some com os outros.

Entrega, que é o que foi publicado, quando, no formato combinado, com a identificação publicitária no lugar certo. É o mínimo contratual e é o que evita discussão depois.

Desempenho de conteúdo, com as métricas de creator e de mídia separadas, e com a observação sobre comparabilidade se a série cruzar abril de 2025.

Efeito de negócio, com o que foi medido, o que foi estimado e o que não foi medido, declarados nessas três categorias. Um relatório que diz "isto nós medimos, isto é indício e isto não sabemos" é mais defensável do que um que apresenta tudo com o mesmo peso.

E se houver verba para um teste incremental no ano, gaste no canal em que você mais investe, não no que você mais tem dúvida. O objetivo do teste não é provar o influenciador, é calibrar quanto o seu modelo de atribuição erra. Depois de saber isso, todos os outros relatórios ficam melhores sem custo nenhum.

O quadro inteiro de uma campanha, do briefing ao relatório, está no guia de marketing de influência para marcas. E a decisão que vem antes de medir, que é quanto pagar, está em quanto custa contratar um influenciador.

A operação inteira em volta dessa medição, do calendário que escorrega ao formato que muda o processo, está no guia de operação de influência.

Shake AI

Da leitura para a prática.

O app faz a curadoria que este guia descreve: o SuperMatch acha os creators compatíveis com a sua marca, o Shake Score dá a nota de cada um, e o mailing verificado leva você a quem decide as campanhas.

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